O Japão voltou a enfrentar momentos de tensão nesta terça-feira (28) após um forte terremoto de magnitude 7,1 atingir a ilha de Kyushu, no sudoeste do país. O tremor provocou uma explosão em um shopping center, deixou pelo menos uma pessoa morta, mais de 80 feridos e causou danos em estradas, residências e estruturas históricas. Milhares de moradores precisaram deixar suas casas por precaução.
O epicentro do terremoto foi registrado cerca de 20 quilômetros ao sul da cidade de Kumamoto, uma das principais da região, às 16h27 no horário local. Pouco tempo depois, um tremor secundário de magnitude 6,1 também foi sentido, aumentando os riscos e mobilizando as equipes de emergência japonesas.
Um dos episódios mais graves ocorreu em um shopping center localizado na cidade de Hikawa. Enquanto clientes e funcionários eram evacuados do local, uma forte explosão atingiu o edifício. O segundo andar desabou, deixando várias pessoas presas sob os escombros. Cerca de 200 pessoas conseguiram se abrigar no estacionamento externo do estabelecimento. As causas da explosão ainda estão sendo investigadas pelas autoridades locais.
Além do shopping, o terremoto provocou incêndios em edificações, rachaduras em rodovias e danos significativos na infraestrutura da região. Imagens divulgadas pela imprensa japonesa mostram grandes fissuras em vias elevadas e o desmoronamento parcial das muralhas do histórico Castelo de Kumamoto, construído no século XVII.
Uma pessoa morreu após o desabamento de uma residência na cidade de Yatsushiro. A vítima chegou a ser socorrida com vida, mas não resistiu aos ferimentos. Há ainda relatos de desaparecidos em uma fábrica de papel após o colapso de uma chaminé industrial, o que mantém as equipes de resgate em alerta máximo.
O forte tremor também interrompeu o funcionamento de diversas linhas ferroviárias, incluindo o famoso trem-bala japonês. Um trem de carga chegou a descarrilar em Yatsushiro, sem registro imediato de vítimas. Aproximadamente 40 mil residências ficaram sem energia elétrica em consequência do terremoto.
Inicialmente, as autoridades japonesas emitiram um alerta de tsunami para algumas áreas costeiras. Horas depois, o aviso foi reduzido após avaliações indicarem que não havia risco significativo de ondas destrutivas. Ainda assim, cerca de 300 mil pessoas foram orientadas a procurar abrigos temporários até que a situação fosse considerada segura.
A primeira-ministra do Japão afirmou que o governo segue monitorando a extensão dos danos e destacou que helicópteros das forças policiais, dos bombeiros e das Forças de Autodefesa foram mobilizados para avaliar as áreas mais atingidas. Segundo as autoridades, há preocupação especial com o abastecimento de água em diversas localidades afetadas.
Também foram realizadas inspeções nas usinas nucleares da região. A agência nuclear das Nações Unidas informou que não foram identificados danos ou problemas operacionais nas instalações nucleares japonesas após o terremoto.
Situado no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, o Japão está entre os países mais suscetíveis a terremotos no mundo, registrando cerca de 10% dos abalos sísmicos do planeta. O episódio desta terça-feira relembra a constante preparação do país para enfrentar grandes desastres naturais e a importância dos protocolos de evacuação que ajudam a reduzir o número de vítimas em situações extremas.