A Justiça de São Paulo determinou a suspensão do projeto conhecido como “Times Square Paulistana”, que previa a instalação de grandes painéis de LED no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, no Centro da capital paulista. A decisão liminar foi emitida nesta quarta-feira (27) pela 4ª Vara da Fazenda Pública.
O empreendimento, chamado Boulevard São João, foi lançado em abril pela Prefeitura de São Paulo com apoio do Governo do Estado e tinha como proposta transformar a região em um polo turístico e cultural inspirado na famosa Times Square, em Nova York. O projeto previa investimento estimado em R$ 42 milhões e a instalação de telões publicitários gigantes em quatro edifícios da região central.
A suspensão atende a uma ação popular movida por cidadãos e entidades, entre eles o ex-vereador Andrea Matarazzo. Os autores argumentam que a iniciativa poderia violar a Lei Cidade Limpa, legislação criada em 2007 para restringir publicidade visual excessiva em São Paulo.
Segundo a decisão judicial, a magnitude do projeto e os possíveis impactos urbanos justificam a paralisação imediata até que haja uma análise mais aprofundada do caso. A magistrada destacou o “potencial dano à população” e afirmou que a proposta exige estudos técnicos e debates públicos mais amplos antes de avançar.
O projeto já vinha gerando polêmica desde o anúncio. Enquanto defensores afirmam que a proposta ajudaria na revitalização econômica e turística do Centro, críticos alertam para riscos de poluição visual, descaracterização urbana e flexibilização de regras históricas da cidade.
A Lei Cidade Limpa é considerada uma das principais referências urbanísticas do país e ficou conhecida por eliminar outdoors e propagandas gigantes da paisagem paulistana. O ex-prefeito Gilberto Kassab, responsável pela criação da norma, já havia declarado ser contrário a qualquer medida que enfraquecesse a legislação.
O cruzamento entre Ipiranga e São João é um dos pontos mais emblemáticos da capital paulista e ganhou notoriedade nacional em músicas, filmes e obras culturais. A prefeitura defendia o projeto como uma estratégia para atrair investimentos e impulsionar a recuperação do Centro histórico.
Por se tratar de uma decisão liminar, a suspensão ainda pode ser revertida nas próximas etapas do processo. A Prefeitura de São Paulo poderá recorrer da decisão junto ao Tribunal de Justiça. Até o momento, o município não informou oficialmente se apresentará recurso.