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Fintechs da Faria Lima são investigadas por ocultar dinheiro do crime organizado em esquema bilionário

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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelou que fintechs instaladas na região da Faria Lima, principal centro financeiro do país, continuaram sendo utilizadas para ocultar e movimentar dinheiro do crime organizado mesmo após o avanço das investigações sobre lavagem de dinheiro envolvendo facções criminosas.

Segundo as autoridades, as movimentações suspeitas chegam a R$ 26 bilhões. A investigação aponta que empresas do setor financeiro atuavam como uma espécie de “banco paralelo”, dificultando o rastreamento de recursos oriundos principalmente do tráfico de drogas, fraudes fiscais e esquemas ligados ao mercado de combustíveis.

As apurações fazem parte de desdobramentos da Operação Carbono Oculto, considerada uma das maiores ofensivas já realizadas contra estruturas financeiras utilizadas pelo crime organizado no Brasil. O esquema envolve uma complexa rede de empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs sediadas em áreas nobres da capital paulista.

De acordo com o MP, os investigados utilizavam tecnologia financeira para pulverizar transações, mascarar a origem do dinheiro e reinserir os valores no sistema econômico formal. A estratégia permitia movimentações milionárias sem levantar suspeitas imediatas dos órgãos de controle.

As investigações identificaram conexões entre operadores financeiros e integrantes de organizações criminosas, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC). Parte do dinheiro teria sido direcionada para aquisição de imóveis de luxo, caminhões, fazendas, postos de combustíveis e participação em empresas.

As autoridades afirmam que algumas fintechs continuaram operando normalmente mesmo após alertas emitidos por órgãos de fiscalização. O Ministério Público aponta falhas em mecanismos de compliance e suspeita que determinados operadores tinham conhecimento da origem ilícita dos recursos.

A Receita Federal, o Gaeco e outros órgãos de investigação trabalham em conjunto para rastrear os fluxos financeiros e identificar todos os beneficiários do esquema. Novas fases da operação não estão descartadas.

Além da lavagem de dinheiro, os investigados podem responder por organização criminosa, evasão fiscal, falsidade ideológica e crimes contra o sistema financeiro nacional.

O caso aumenta a pressão sobre o setor de fintechs no Brasil e reacende o debate sobre fiscalização, transparência e controle de operações financeiras digitais, especialmente em instituições que movimentam grandes volumes de recursos com pouca supervisão tradicional.

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