A possível formação do fenômeno El Niño já começa a provocar mudanças nos padrões climáticos do Brasil e acende o alerta para o aumento das chuvas na Região Sul nos próximos meses. Meteorologistas apontam que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial pode favorecer a ocorrência de precipitações acima da média, especialmente entre o inverno e a primavera de 2026.
Segundo projeções divulgadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a probabilidade de formação do El Niño supera 60% a partir do trimestre maio-junho-julho e pode ultrapassar 90% durante o segundo semestre deste ano. O fenômeno ocorre quando as águas superficiais do Pacífico apresentam aquecimento anormal, alterando a circulação atmosférica e influenciando o regime de chuvas em diversas regiões do planeta.
No Sul do Brasil, os efeitos costumam ser mais evidentes. A tendência é de aumento nos volumes de chuva, maior frequência de temporais e risco ampliado para eventos como alagamentos, enxurradas e deslizamentos. Em Santa Catarina, órgãos meteorológicos já observam um aumento gradual das condições favoráveis à ocorrência de precipitações mais frequentes nos próximos meses.
Especialistas destacam que o impacto mais intenso do El Niño normalmente ocorre entre setembro e novembro. Nesse período, a atmosfera fica mais propensa à formação de sistemas meteorológicos capazes de gerar chuvas volumosas e eventos extremos, embora a ocorrência de desastres não seja uma consequência automática do fenômeno.
Além das chuvas, o El Niño também costuma influenciar as temperaturas. A previsão para o segundo semestre indica períodos mais quentes do que a média histórica e menor frequência de ondas prolongadas de frio intenso. Mesmo assim, massas de ar polar continuarão avançando sobre o Sul do país, mantendo a possibilidade de geadas e episódios de frio mais forte em alguns momentos do inverno.
Os reflexos do fenômeno preocupam especialmente setores como agricultura, infraestrutura e defesa civil. O excesso de umidade pode dificultar atividades no campo, aumentar o risco de doenças em lavouras e exigir maior atenção das autoridades para possíveis ocorrências relacionadas ao clima severo.
Diante do cenário, meteorologistas recomendam o acompanhamento frequente das atualizações climáticas e dos alertas emitidos pelos órgãos oficiais, já que as projeções podem sofrer ajustes conforme a evolução das condições oceânicas e atmosféricas ao longo dos próximos meses.