O Brasil será o país mais impactado pelo aumento das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos desde o retorno de Donald Trump à presidência. A informação foi divulgada após o anúncio de uma nova taxa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciado pela Casa Branca na última quarta-feira (15), elevando significativamente o custo de entrada das mercadorias nacionais no mercado norte-americano.
De acordo com dados atualizados da iniciativa Global Trade Alert (GTA), vinculada ao St. Gallen Endowment, centro independente de estudos sediado na Suíça, a tarifa efetiva média aplicada pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros saltará de 1,19%, registrada ao final do governo Joe Biden em janeiro de 2025, para 14,42% quando as novas medidas entrarem em vigor no fim deste mês.
O aumento representa uma elevação de mais de 13 pontos percentuais, colocando o Brasil no topo da lista entre os 30 principais parceiros comerciais dos EUA. Atualmente, antes da implementação integral das novas medidas, a tarifa média já alcança 11,66%.
O levantamento aponta que nenhum outro país experimentou um crescimento tão expressivo nas barreiras tarifárias impostas pelo governo Trump. A Coreia do Sul aparece em segundo lugar, com aumento de 9,57 pontos percentuais, seguida pela Tailândia (8,39), Japão (7,7) e China (7,48).
Especialistas avaliam que a decisão poderá afetar diversos setores da economia brasileira, especialmente aqueles com forte presença no mercado norte-americano, como siderurgia, agronegócio, produtos industrializados e manufaturados. O encarecimento dos produtos brasileiros pode reduzir a competitividade das exportações nacionais e impactar empresas que dependem do comércio bilateral.
Os Estados Unidos figuram entre os principais destinos das exportações brasileiras, movimentando bilhões de dólares anualmente. Diante do novo cenário, representantes do setor produtivo acompanham com preocupação os possíveis reflexos sobre empregos, investimentos e crescimento econômico.
Embora o governo norte-americano tenha justificado as medidas como parte de sua política de proteção à indústria doméstica, analistas destacam que o aumento das tarifas pode gerar desdobramentos diplomáticos e comerciais entre os dois países, além de incentivar o Brasil a ampliar sua diversificação de mercados internacionais.
A expectativa agora é pela reação do governo brasileiro e por eventuais negociações diplomáticas que possam amenizar os impactos das novas taxas. Enquanto isso, exportadores brasileiros já começam a revisar estratégias para enfrentar um ambiente comercial mais desafiador nos Estados Unidos.
Com a entrada em vigor das novas tarifas prevista para o final de julho, o Brasil passa a ocupar uma posição inédita no cenário global: a de país que mais sofreu aumento das barreiras comerciais americanas desde o início do segundo mandato de Donald Trump.