O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (20) a imposição de uma tarifa de 50% sobre uma ampla lista de produtos importados do Canadá, intensificando a disputa comercial entre os dois países e aumentando a pressão sobre as negociações envolvendo o acordo comercial da América do Norte.
Segundo a Casa Branca, a medida deve entrar em vigor dentro de 30 dias e foi justificada pelo que o governo norte-americano classificou como “tratamento discriminatório” do Canadá contra produtos dos Estados Unidos. Entre as críticas apresentadas estão restrições a bebidas alcoólicas, produtos lácteos e veículos norte-americanos no mercado canadense.
As novas tarifas atingirão diversos setores, incluindo vestuário, móveis, cimento, materiais automotivos e bebidas. No entanto, alguns itens considerados estratégicos ficarão de fora da medida, como energia, minerais críticos, potássio, pescado e determinados produtos ligados à segurança nacional.
O anúncio ocorre em meio às negociações para a revisão do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA/T-MEC). Especialistas avaliam que a decisão pode ser utilizada como instrumento de pressão nas tratativas, embora exista a expectativa de questionamentos judiciais sobre a legalidade da medida.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, defendeu a retomada do diálogo entre os países, enquanto autoridades provinciais adotaram um tom mais duro. O premiê de Ontário, Doug Ford, afirmou que o Canadá deve responder de forma proporcional caso as tarifas sejam efetivamente implementadas.
A nova ofensiva comercial também repercutiu nos mercados financeiros. O dólar canadense registrou queda após o anúncio, refletindo a preocupação dos investidores com os impactos sobre o comércio bilateral, que movimentou cerca de US$ 716 bilhões no último ano.
Esta é mais uma escalada na guerra comercial entre os dois países, que já acumulam disputas relacionadas ao aço, alumínio, madeira, tecnologia e produtos agrícolas. Nas últimas semanas, Trump chegou a ameaçar o Canadá com novas sanções, inclusive associando o tema à fumaça provocada por incêndios florestais que atingiram regiões dos Estados Unidos.
Analistas internacionais destacam que a medida pode gerar reflexos em toda a economia norte-americana, elevando custos para consumidores e empresas e provocando novos episódios de retaliação por parte do governo canadense. A expectativa é de que as próximas semanas sejam marcadas por intensas negociações diplomáticas para evitar um agravamento da crise comercial entre os dois tradicionais parceiros econômicos.