O governo do Paraguai convocou o embaixador do Brasil em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (30) pelo chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, e representa mais um capítulo do desgaste diplomático entre os dois países.
A convocação ocorre depois de Lula afirmar, durante um evento público na última sexta-feira (24), que o Brasil tem uma “dívida histórica” com o Paraguai em razão da Guerra da Tríplice Aliança, conflito ocorrido entre 1864 e 1870 que envolveu Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai. A declaração provocou reações no país vizinho e levou integrantes do Congresso paraguaio a manifestarem repúdio às falas do presidente brasileiro.
Segundo o governo do Paraguai, o embaixador brasileiro participará de uma reunião nesta sexta-feira (31), da qual também estarão presentes o vice-presidente do país, Pedro Alliana, e representantes do Ministério das Relações Exteriores. Na ocasião, será entregue uma nota oficial expressando a posição do governo paraguaio sobre as declarações.
O presidente paraguaio, Santiago Peña, também conversou por telefone com Lula após a repercussão do caso. Embora os detalhes do diálogo não tenham sido divulgados integralmente, autoridades paraguaias afirmaram que o objetivo foi tratar do impacto das declarações nas relações diplomáticas entre os dois países.
A Guerra da Tríplice Aliança é considerada um dos episódios mais marcantes da história da América do Sul. O conflito resultou em enormes perdas humanas e econômicas para o Paraguai, além de profundas consequências políticas e territoriais. Até hoje, o tema desperta debates históricos e políticos tanto no Brasil quanto no Paraguai.
Apesar do episódio diplomático, Brasil e Paraguai mantêm uma relação estratégica em áreas como comércio, energia e integração regional, especialmente em projetos conjuntos como a gestão da usina hidrelétrica de Itaipu. A expectativa é de que o diálogo entre os governos contribua para evitar um agravamento das tensões diplomáticas.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil ainda não havia divulgado uma manifestação oficial sobre a convocação do embaixador até a publicação desta reportagem.