A ex-tutora de uma cadela que ingeriu 55 pedras de crack em Joinville, no Norte de Santa Catarina, foi denunciada pelo Ministério Público por maus-tratos contra o animal. O caso chamou atenção após a filhote, da raça buldogue francês e com apenas três meses de idade, precisar de atendimento veterinário de emergência depois de entrar em contato com a droga.
O episódio aconteceu em abril deste ano e mobilizou uma equipe veterinária. A cadela, chamada Antonieta, chegou à clínica em estado grave, apresentando convulsões, alterações neurológicas, arritmia cardíaca, problemas gastrointestinais e sangramento nasal.
Durante o atendimento, o animal conseguiu vomitar parte das pedras. Exames de imagem identificaram que ainda havia material estranho no estômago, sendo necessária a realização de procedimentos para retirar o restante da droga. A equipe veterinária também realizou lavagem gástrica e utilizou carvão ativado para reduzir a absorção das substâncias.
A Polícia Militar foi acionada pela clínica após identificar a gravidade da situação. Na ocasião, uma das tutoras afirmou ser responsável pelas drogas e acabou conduzida à delegacia. O caso foi inicialmente registrado como maus-tratos e também envolveu investigação relacionada ao tráfico de entorpecentes.
Após o atendimento emergencial, Antonieta permaneceu internada e chegou a apresentar uma piora no quadro de saúde, com novas crises convulsivas. A cadela precisou de acompanhamento especializado e chegou a ser encaminhada para tratamento intensivo diante da evolução dos sintomas.
A investigação também levantou a possibilidade de o animal ter sido utilizado para transportar a droga, embora as circunstâncias exatas da ingestão tenham sido apuradas pelas autoridades. A quantidade de entorpecentes encontrada no organismo da filhote chamou atenção pela gravidade do risco à vida do animal.
Depois do caso, ficou definido que Antonieta não retornaria para o antigo lar. A cadela recebeu cuidados veterinários, foi identificada por microchip e passou a ser encaminhada para uma nova adoção, com o objetivo de garantir que permanecesse em um ambiente seguro.
A denúncia apresentada contra a ex-tutora dá continuidade às medidas judiciais relacionadas ao caso. Se condenada pelo crime de maus-tratos, a responsável poderá sofrer as consequências previstas na legislação brasileira para crimes cometidos contra animais.
O caso provocou repercussão pela situação de extrema vulnerabilidade enfrentada pela filhote e reforçou a importância da responsabilização de tutores que submetem animais a condições capazes de colocar sua saúde e sua vida em risco.