Brasil

Dino cita suspeita de que Frias liderou esquema criminoso de desvios ao retirar sigilo de investigação

Publicado em:

data

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de documentos de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo que apura suspeitas de desvios de recursos públicos e possíveis conexões com a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na decisão, o magistrado citou indícios de que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) teria liderado um esquema criminoso envolvendo empresas, contratos públicos e movimentações financeiras suspeitas.

A investigação paulista foi incorporada à apuração conduzida pela Polícia Federal, sob supervisão do STF, após serem identificadas possíveis conexões entre os casos. Os documentos, que somam cerca de 5 mil páginas, apontam suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e desvio de recursos.

O caso envolve o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido pela empresária Karina Gama, também responsável pela produtora Go Up Entertainment, ligada ao filme “Dark Horse”. A entidade firmou um contrato de R$ 157 milhões com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de 5 mil pontos de internet gratuita. Segundo as investigações, porém, apenas cerca de 3,2 mil pontos teriam sido entregues.

A Polícia Civil identificou indícios de irregularidades em notas fiscais, simulação de serviços e movimentações financeiras entre empresas ligadas ao instituto e à produtora. Parte dos recursos do contrato municipal teria sido desviada para financiar a produção do filme, hipótese que passou a ser investigada pelas autoridades.

Os investigadores também apuram a circulação de valores entre empresas como Complexsys, Fastfuture, Ultra IP e Urban Connect. A suspeita é de que recursos de origem municipal e federal tenham sido misturados e posteriormente direcionados a empresas e pessoas relacionadas ao grupo investigado.

O deputado Mário Frias aparece como um dos principais alvos da apuração. A Polícia Federal investiga sua participação na destinação de emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil e possíveis transferências financeiras para a produtora do filme. Em 2024, o parlamentar destinou R$ 2 milhões em emendas à entidade, valores pagos posteriormente.

Segundo os investigadores, parte desses recursos pode ter sido utilizada de maneira irregular, por meio de contratos com empresas subcontratadas sem comprovação da efetiva prestação dos serviços. A apuração também analisa transferências incompatíveis com a renda declarada pelo deputado e possíveis vínculos financeiros com empresas envolvidas no caso.

A investigação ganhou força com a Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal em 10 de setembro. A ação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em endereços de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Mário Frias e Karina Gama estão entre os alvos.

Durante as diligências, foram apreendidos celulares, computadores e documentos. Na residência do deputado, os agentes recolheram sete armas de fogo registradas em seu nome, mas encontradas em endereço diferente daquele declarado às autoridades.

O ministro Flávio Dino determinou ainda medidas cautelares contra os investigados, incluindo a proibição de deixar o país sem autorização judicial, a entrega de passaportes e a restrição de comunicação entre os envolvidos. Também foi proibida a realização de novos contratos ou parcerias com dinheiro público por empresas suspeitas de participação no esquema.

A decisão de retirar o sigilo foi justificada pela necessidade de garantir transparência e evitar vazamentos seletivos de informações. Dino também determinou que os dados e materiais apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo fossem encaminhados à Polícia Federal, permitindo a análise conjunta das provas.

Além da investigação sobre as emendas parlamentares e o contrato de internet, o filme “Dark Horse” também é alvo de um inquérito conduzido pelo ministro André Mendonça. Nesse procedimento, é investigada a suspeita de que o senador Flávio Bolsonaro tenha intermediado repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção.

As investigações sobre o filme envolvem suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa. Até o momento, não foram divulgadas conclusões definitivas sobre a responsabilidade dos investigados.

Mário Frias nega as acusações e classifica a investigação como infundada e motivada politicamente. Karina Gama também nega irregularidades e afirma que o levantamento do sigilo contribui para a transparência do caso. A Prefeitura de São Paulo declarou que não identificou irregularidades na contratação do Instituto Conhecer Brasil.

O caso segue sob investigação do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal, que buscam esclarecer a origem e a destinação dos recursos públicos, além de identificar a eventual participação de agentes públicos e privados no suposto esquema.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas Notícias

Sair da versão mobile