O reajuste foi anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada e terá início nos pagamentos de outubro. A correção será de aproximadamente 15,04%, elevando o valor mínimo do benefício de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio, por sua vez, passará de cerca de R$ 675 para R$ 777.
De acordo com as estimativas da equipe econômica, o aumento deverá gerar um impacto de R$ 5,8 bilhões nas contas públicas em 2026. Para 2027, o custo adicional projetado chega a R$ 22,7 bilhões, o que exigirá novos ajustes no planejamento orçamentário do governo federal.
A recomposição dos valores foi apresentada como uma forma de recuperar o poder de compra das famílias beneficiárias diante da inflação acumulada desde a reformulação do programa, em março de 2023. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o reajuste está previsto dentro da organização orçamentária do governo e não representa um aumento real acima da inflação.
Para viabilizar os recursos necessários, a equipe econômica promoveu alterações nas previsões de despesas e receitas do Orçamento de 2026. O governo também revisou a estimativa de resultado fiscal, elevando a projeção de déficit nas contas públicas de aproximadamente R$ 52 bilhões para cerca de R$ 81 bilhões, conforme os dados divulgados no relatório de avaliação do quarto bimestre.
O documento também aponta uma redução no volume total de despesas contidas no orçamento, que passou de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões. Com a mudança, o governo liberou aproximadamente R$ 1,9 bilhão para gastos dos ministérios, mantendo parte dos recursos sob contenção.
O reajuste do Bolsa Família ocorre em um contexto de discussões sobre o equilíbrio das contas públicas e a sustentabilidade das despesas sociais. A medida também foi alvo de questionamentos relacionados ao momento do anúncio, próximo às eleições presidenciais. Integrantes do governo defendem que a correção tem como objetivo recompor o valor dos benefícios diante da inflação, enquanto críticos questionam os efeitos da medida sobre o orçamento e seu calendário de implementação.
Os novos valores começarão a ser pagos em outubro, seguindo o cronograma oficial do Bolsa Família. As famílias beneficiárias deverão consultar os canais oficiais do programa para verificar o valor atualizado e a data de recebimento, conforme o final do Número de Identificação Social (NIS).