O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta segunda-feira (19) que pretende entregar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na terça-feira (20), uma autorização para a abertura de seus sigilos bancário e telefônico, incluindo os dados de seus cinco filhos. A iniciativa ocorre em meio à disputa eleitoral contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República no segundo turno das eleições de 2026.
Durante um evento de campanha em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Lula afirmou que está disposto a permitir o acesso às informações pessoais e financeiras de sua família e desafiou o adversário a adotar a mesma medida. Segundo o presidente, a proposta tem como objetivo esclarecer as acusações feitas durante a campanha e permitir que as autoridades apurem eventuais irregularidades.
O anúncio foi feito um dia após o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela Band no domingo (18). O encontro foi marcado por trocas de acusações entre os candidatos, especialmente sobre suspeitas de corrupção, patrimônio e relações com pessoas investigadas.
Durante o debate, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre a origem dos recursos utilizados na compra de um imóvel avaliado em aproximadamente R$ 10 milhões. O presidente também mencionou a relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao antigo Banco Master, e questionou um pedido de R$ 134 milhões relacionado ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio, por sua vez, levantou questionamentos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente, citado em investigações relacionadas a suspeitas de irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Lula afirmou que o filho autorizou o acesso aos seus dados bancários e telefônicos pelas autoridades competentes.
Ao reiterar a proposta nesta segunda-feira, o presidente declarou que pretende disponibilizar as informações para análise da Justiça e espera que o adversário faça o mesmo. Lula também afirmou que não pretende aceitar acusações que, segundo ele, prejudicam sua imagem e a de seus familiares.
A proposta prevê que os documentos de autorização sejam encaminhados às autoridades judiciais, incluindo os presidentes do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal (STF). A intenção anunciada é permitir que os dados sejam examinados no âmbito legal, com o objetivo de esclarecer as suspeitas levantadas durante a campanha.
Flávio Bolsonaro afirmou durante o debate que não tem nada a esconder, mas não confirmou se aceitará a proposta nos mesmos termos apresentados por Lula. Até o anúncio feito pelo presidente nesta segunda-feira, não havia confirmação de que o senador concordaria em autorizar a abertura de seus sigilos e dos dados de seus familiares.
A iniciativa acrescenta um novo capítulo à disputa eleitoral, que se intensificou às vésperas do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Com os dois candidatos trocando acusações públicas, a discussão sobre transparência patrimonial e apuração de possíveis irregularidades passou a ocupar espaço central no confronto político.